Março é o mês internacional da conscientização sobre a endometriose e o laço da campanha tem a cor amarela. A doença ganha destaque por atingir cerca de 10% das mulheres em todo mundo e afetar a fertilidade de 30% a 50% destas. No Brasil, a situação é ainda mais preocupante atingindo 15% da população feminina. 

Mesmo afetando tantas mulheres, não existe atualmente uma terapia específica para endometriose. No entanto, estudos recentes mostram que o CBD, presente na cannabis medicinal, tem grande potencial no tratamento dos sintomas. 

Mas antes de saber como o canabidiol pode ajudar, vamos explicar um pouco mais sobre a endometriose e seus sintomas. 

O que é a endometriose e quais os sintomas?

A endometriose é uma enfermidade que afeta o sistema reprodutor feminino, de forma que o endométrio, tecido que reveste as paredes internas do útero, começa a se formar na parte externa do órgão e ao invés de ser eliminado na menstruação, é levado a outras partes do sistema. 

Nesse caso, o endométrio pode surgir nos ovários, nas trompas, no septo retovaginal e até mesmo em outros órgãos da região pélvica como a bexiga e o intestino. Em quadros mais graves, o tecido endometrial pode se desviar ainda mais do útero e ir parar no tórax, possivelmente afetando os pulmões e o coração e mais raramente para o sistema nervoso central.  

Isso cria processos inflamatórios constantes pelo organismo (a cada ciclo menstrual), à medida que os endométrios são capazes de adaptar lentamente no sistema em que se instalam para suprir suas necessidades. Dessa forma, novas terminações são criadas que geram dor, o principal sintoma da endometriose. 

Sintomas 

O quadro clínico da paciente com endometriose é bastante variável. A paciente pode tanto ser assintomática, quanto desenvolver sintomas crônicos, sendo a dor o principal deles. Essa dor pode ser leve, dificultando o diagnóstico, ou aguda, gerando muito desconforto e impacto na rotina da mulher. Também pode se apresentar circunstancial, durante as relações sexuais, ou local, afetando a região da lombar e a parte inferior do abdômen, assim como a pélvis, o reto e a vagina.

O ciclo menstrual é diretamente influenciado pela endometriose, causando alterações no fluxo, que tende a se tornar muito intenso. A frequência das menstruações também é alterada, podendo ser mais constante ou esparsa, a depender do caso. As cólicas se intensificam, sendo o primeiro sintoma físico a ser notado pelas pacientes. Outros sintomas que podem ocorrer são alterações no trato intestinal e urinário.

Além dos sintomas físicos, dois estudos conduzidos no Brasil demonstraram o impacto psicológico da endometriose na vida das mulheres, mostrando que a frequência da depressão variou de 86,5% a 92,0% e a ansiedade esteve presente em 87,5% das pacientes avaliadas.

Diagnóstico e tratamentos convencionais da endometriose

A endometriose é diagnosticada por meio de uma consulta detalhada com ginecologista, que deve sondar a paciente a respeito dos sintomas e solicitar um ultrassom endovaginal e/ou uma ressonância magnética, para averiguar o estágio da enfermidade. 

Confirmado o diagnóstico, o tratamento é realizado com o uso de anticoncepcionais hormonais ou dispositivo intrauterino (DIU) e terapias de supressão ovariana, para as mulheres que não pretendem engravidar. Para controlar a dor, é comum utilizar analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs). Intervenções cirúrgicas podem ser necessárias para remover lesões endometriais, por meio de laparotomia ou mesmo por procedimentos mais simples, como a cauterização de focos superficiais, a depender da indicação médica. 

Mesmo com o tratamento hormonal e cirúrgico, é comum que as pacientes tenham resultados temporários e os sintomas da endometriose acabam voltando. No caso de intervenções cirúrgicas, a taxa de sucesso é de 50% e dentro de um ano a mulher já pode apresentar novos indícios da enfermidade. Além disso, as mulheres podem se tornar inférteis com o tratamento cirúrgico, o que leva algumas delas a optar pelo tratamento medicamentoso, exigindo o uso de altas dosagens de analgésicos e AINEs ou a combinação de diferentes medicamentos para suportar as frequentes dores.  

Essas terapias afetam a qualidade de vida da paciente, principalmente pelo fato de que tanto o uso de hormônios quanto de anti-inflamatórios aumenta o risco de trombose e podem gerar outras reações adversas, causando novos problemas de saúde. Ainda assim, essa medicação muitas vezes não é capaz de controlar totalmente a dor que a mulher sente, desencadeando ou mesmo intensificando outros sintomas como estresse,  depressão e quadros de ansiedade.  

Relação do Sistema Endocanabinóide com a endometriose 

O útero apresenta uma grande quantidade de receptores CB1, sendo o segundo local com mais receptores de endocanabinóides, ficando atrás apenas do cérebro. Nos organismos de mulheres com endometriose, há um desequilíbrio do Sistema Endocanabinóide (SEC) e por isso elas apresentam níveis mais baixos de receptores CB1 no endométrio. Este receptor em específico tem um papel fundamental na percepção da dor sendo um dos motivos deste ser o sintoma mais presente nos casos de endometriose. Os receptores CB1 também podem coordenar a resposta neurovascular do endométrio, interferindo na taxa de crescimento anormal do tecido endometrial.

O SEC é responsável ainda pela apoptose, um processo de morte celular programada, quando o organismo identifica células danificadas. Durante o ciclo menstrual, isso acontece para que a camada de tecido endometrial formada seja eliminada.  No caso da endometriose, com o SEC em desequilíbrio, a apoptose fica prejudicada, possibilitando que as células do endométrio que estão danificadas se espalhem.  

Há ainda um terceiro mecanismo envolvendo o SEC. Receptores canabinóides estão presentes no sistema nervoso central e nervos periféricos, regulando várias vias de sinalização neuronal e exercendo um importante papel na fisiopatologia da dor.  

Usando o CBD como terapia alternativa para a endometriose

Como visto, existe uma relação intrínseca entre o sistema endocanabinóide e o sistema reprodutor feminino, e isso é o que possibilita ao canabidiol (CBD) agir como uma terapia alternativa e natural para a endometriose.  

Uma de suas principais ações é no processo de apoptose e no efeito anti-migratório celular, funções que também têm atraído o uso do CBD em tratamentos contra o câncer. O CBD é capaz de retomar a eficiência nesse processo, além de impedir que as células do endométrio migrem para outros lugares do organismo. Isso é possível pois o CBD atua nos receptores canabinóides para aumentar os níveis de endocanabinoides no organismo.  

Estudos também já comprovaram que a cannabis medicinal pode atenuar a sensação de dor causada pela endometriose, por meio da dessensibilização dos receptores responsáveis por essa resposta fisiológica. Além disso, os canabinóides têm efeito analgésico e anti-inflamatório que também auxiliam no combate da dor.   

A endometriose exerce um importante impacto social e psicológico na vida das mulheres. A dor pode implicar tanto em ansiedade quanto na depressão e a condição crônica e muitas vezes debilitante da endometriose pode levar a quadros de ansiedade. Uma das ações do CBD é como um regulador de humor, corrigindo as respostas dos neurotransmissores responsáveis pela dopamina e serotonina, hormônios que auxiliam na sensação de bem estar e felicidade. O canabidiol também tem interações com os receptores GABA, que geram um efeito calmante em situações de ansiedade e de estresse.  

Canabidiol atrai cada vez mais mulheres em tratamento de endometriose 

Em vista dos benefícios do uso do CBD no tratamento da endometriose, cada vez mais mulheres têm recorrido a esta alternativa terapêutica.

Uma pesquisa online foi realizada em 2017 na Austrália com mulheres de 18 a 45 anos de idade com diagnóstico de endometriose confirmado cirurgicamente. Mais de 75% das participantes revelaram que já faziam uso do canabidiol e 56% destas reduziram pela metade o consumo de outros medicamentos para lidar com a endometriose. 

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Referências: