O câncer de próstata é um dos tumores mais frequentes nos homens, estando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Ele atinge a glândula responsável pela produção de fluidos do líquido seminal.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima que, somente em 2020, 65,8 mil novos casos da doença surgiram no Brasil. Ou seja, aproximadamente 29,2% dos tumores incidentes no sexo masculino. Além disso, é a segunda causa de morte por câncer em homens no país, com mais de 15 mil óbitos. 

Apesar de ser bastante frequente, o câncer de próstata possui tratamento e grandes chances de cura, desde que tratado adequadamente em suas fases iniciais. Isto é, quanto mais precoce for o seu diagnóstico, maior a chance de controle e cura da doença

Neste texto, você vai entender melhor sobre os sintomas e tratamentos para o câncer de próstata. Acompanhe a leitura. 

O que é câncer de próstata?

O câncer de próstata é definido como um crescimento desordenado e acelerado de células dessa glândula.

Resumidamente, a próstata faz parte do sistema genital masculino e fica localizada próximo a bexiga urinária. Sua função é produzir fluidos que compõem parte do sêmen, nutrindo e protegendo os espermatozoides. 

Há um crescimento de celular malignas, e à medida que se multiplicam, as células neoplásicas podem invadir os tecidos e se disseminar para órgãos distantes, comprometendo os gânglios linfáticos, ossos e pulmões, por exemplo.

Imagem ilustrativa do sistema reprodutor masculino. Texto câncer de próstata.
Sistema reprodutor masculino.

A mortalidade pelo câncer de próstata ocorre principalmente pelo diagnóstico tardio da doença.

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 51% dos homens nunca foram a um urologista. Na maioria dos casos, eles evitam a ida ao especialista por se sentir envergonhado ou por puro preconceito com os exames feitos para confirmar a patologia. 

Mas é importante ficar atento ao tumor que, na maioria dos casos, cresce de forma lenta e não costuma apresentar sintomas. Em estágios mais avançados, pode afetar a saúde do homem, trazendo dificuldades para urinar e até sangue na urina.

Câncer de próstata e os sintomas iniciais

O câncer de próstata costuma ser uma doença silenciosa. Isso porque, em estágio inicial, ele se apresenta de forma assintomática, uma vez que o crescimento do tumor ocorre de maneira lenta. 

Ou seja, muitos pacientes que estão no início da doença, não manifestam sinais ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata. 

Mas em estágios avançados, a doença pode comprometer e afetar a saúde do homem. Devido ao crescimento do tumor, acontece a compressão da uretra prostática ou, em casos piores, o aparecimento de metástases em outros órgãos.

Os principais sintomas do câncer de próstata já em estado avançado podem incluir:

  • dificuldade de urinar, inclusive com dor ou ardência;
  • sentir vontade mais frequente de urinar;
  • diminuição da potência do jato de urina;
  • dor óssea;
  • impotência sexual;
  • presença de sangue no sêmen ou na urina;
  • incontinência urinária; e
  • insuficiência renal.

Se o tumor se espalhar para outras regiões do corpo, também é comum a presença de outros sintomas menos específicos como dor constante nas costas, fraqueza nas pernas ou insuficiência renal, relacionados ao órgãos que afetou.

No entanto, como nem todo paciente apresenta esses sinais, é essencial a realização anual do exame de próstata, conduzido pelo urologista. 

De acordo com a pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) já citada, cerca de 20% dos casos ainda são diagnosticados tardiamente, o que dificulta o sucesso dos tratamentos e diminui as chances de cura. 

É importante destacar também que a presença de um ou mais sintomas não indica, necessariamente, o diagnóstico de câncer de próstata, Essa afirmação só pode ser feita por um médico, com base em exames e procedimentos para avaliação do problema. 

Fatores de risco 

O fator de risco é algo que afeta sua chance de contrair uma doença. No caso do câncer, não existe uma causa específica, mas diversas condições podem influenciar no desenvolvimento do tumor. 

Para o câncer de próstata, a idade é o fator mais importante, uma vez que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos. 

Imagem ilustrativa indicando a idade menos frequente (45 anos) até a mais frequente (65 anos) para o desenvolvimento do câncer de próstata.
A idade é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de próstata.

Além disso, existem outros motivos que podem aumentar as chances de um homem desenvolver a doença. São eles:

  • histórico familiar. Ou seja, homens cujo pai, avô ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos, fazem parte do grupo de risco;
  • sobrepeso e obesidade; 
  • exposições a aminas aromáticas, arsênio, produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas estão associadas ao câncer de próstata;
  • homens negros apresentam risco de duas a três vezes maior que o restante da população masculina, bem como o dobro da probabilidade de morrer por conta da doença; 
  • mutações dos genes BRCA-1 ou BRCA-2, e homens com síndrome de Lynch, têm um risco aumentado para o câncer de próstata;

Quais os exames feitos para detectar o câncer de próstata?

Uma vez que não há sintomas para indicar o início da sua evolução, os homens precisam estar atentos e vigilantes quanto aos exames preventivos.  Ao diagnosticá-lo precocemente, é possível optar por tratamentos menos invasivos e com menos efeitos colaterais.

Dito isso, o diagnóstico do câncer de próstata pode ser obtido de duas formas: por meio do exame de toque retal e do teste do antígeno prostático específico (PSA).

Esses exames devem ser realizados a partir dos 50 anos por todos os homens e a partir dos 45 anos para aqueles de pele negra ou que têm histórico desse câncer na família.

  • Exame de toque retal: o médico avalia tamanho, forma e textura da próstata, introduzindo o dedo protegido por uma luva lubrificada no reto. Este exame permite palpar as partes posterior e lateral da próstata, identificando quaisquer alterações;
  • Exame de PSA: é um exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata — Antígeno Prostático Específico (PSA) — e que pode indicar possíveis complicações. 

Mesmo com a existência do exame de sangue, é fundamental a avaliação médica para definir a necessidade de realizar o exame de toque, pois eles são complementares e permitem ao médico analisar a estrutura da próstata por completo, a depender do quadro clínico e fatores de risco.

No entanto, vale destacar que o toque retal e a dosagem de PSA não confirmam se o indivíduo possui a doença, eles apenas sugerem a necessidade ou não de realizar outros exames.

Como confirmar o diagnóstico?

Caso sejam constatados aumento da glândula ou PSA alterado, é necessária a realização de uma biópsia para averiguar a presença do tumor. Após a coleta, será possível identificar se é maligno ou não.  

A coleta nada mais é do que a retirada de pedaços bem pequenos da próstata que serão submetidos a análises em laboratório. 

Se o diagnóstico de câncer for confirmado pela biópsia, o médico responsável deve indicar outros exames que o paciente precisará ser submetido para descobrir o tamanho e se a presença de metástases, quando o câncer se espalha para outras partes do corpo. 

Após isso, será definido o melhor tratamento para cada caso, o que dependerá do estágio da doença e das particularidades de cada paciente. 

Veja quais os tratamentos para câncer de próstata

Já sabemos que quanto antes o câncer de próstata for diagnosticado, mais chances de sucesso o paciente terá no procedimento. Mas antes de definir o tratamento, diversos fatores estão envolvidos, como estadiamento da doença, idade do paciente e expectativa de vida.

Entre eles estão:

  • Cirurgia/prostatectomia — é o método mais utilizado e consiste na remoção total ou parcial da próstata através de uma cirurgia. 

Este é o tratamento indicado principalmente para os homens com grande expectativa de vida e que apresentam riscos de progressão da doença se ela não for tratada adequadamente. 

  • Radioterapia — consiste na aplicação de radiação em determinadas áreas da próstata para eliminar as células de câncer.

    Este método é indicado para pacientes que apresentam a doença com baixo risco de progressão, sendo necessário acompanhamento médico e vigilância ativa;
  • Tratamento hormonal: é usado para os casos mais avançados e consiste no uso de remédios para regular a produção dos hormônios masculinos (andrógenos), uma vez que são eles que estimulam as células cancerígenas a crescerem.

    Existem diferentes tipos de terapia hormonal, e a escolha deve ser feita em conjunto com o médico, de acordo com as características da doença e da pessoa. 

É comum aparecer câncer de próstata em jovens?

Apesar do câncer de próstata raramente ser diagnosticado em jovens com idade inferior aos 40 anos, é sim possível. Dessa forma, todo homem deve estar atento aos sinais do corpo. 

Para se ter uma ideia, seis em cada dez casos de câncer de próstata são diagnosticados em homens com mais de 65 anos, segundo dados da SBU. A incidência da doença em homens entre os 20 e 30 anos é de apenas 2% a 8%.

Como prevenir o câncer de próstata?

Para diminuir suas chances de desenvolver o câncer de próstata, além de realizar os exames preventivos, é importante adotar hábitos de vida saudáveis e ter bastante atenção aos fatores de risco.

Homem respirando fundo na natureza. Imagem ilustrativa texto câncer de próstata.
Hábitos saudáveis ajudam com a prevenção do câncer de próstata e na saúde em geral

Afinal, ao analisarmos esses fatores, percebe-se que algumas medidas podem ser adotadas a fim de evitá-lo. Nesse sentido, optar por uma alimentação balanceada e praticar exercícios físicos regularmente são algumas das recomendações para prevenir a doença. Tais como: 

  • uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, com menos gordura, principalmente as de origem animal; 
  • manter o peso corporal adequado — o que evita sobrepeso e obesidade, fatores de risco para a doença; 
  • histórico familiar; 
  • não fumar; e 
  • evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Além de ajudar com a prevenção do câncer, esses hábitos contribuem para a melhoria da saúde do paciente em geral. 

Vale reforçar que apesar de reduzirem os riscos de desenvolver a doença, a melhor forma de prevenir ainda é o diagnóstico precoce. Por isso, manter as consultas médicas em dia e se informar sobre a doença também são práticas essenciais aos homens.

Cannabis medicinal pode ajudar no tratamento para câncer de próstata?

A Cannabis medicinal pode ajudar no período de tratamento contra o câncer, principalmente para minimizar os sintomas incômodos do procedimento, como as dores, náuseas e vômitos, assim como melhorar a qualidade de vida

Estudos indicam que há inibição do crescimento de células cancerígenas na próstata e sugerem que os seus efeitos terapêuticos sejam ainda mais estudados e explorados como tratamento complementar.

No entanto, ainda não há evidência clínica em pacientes humanos, com efeitos in vivo, para o uso dos canabinoides como um agente antitumoral, que atuaria diretamente na origem da doença.  Até então, apenas pesquisas pré-clínicas, feitas em modelos animais e culturas celulares, avançam nesse sentido. 

Ou seja, a cannabis medicinal não é capaz de curar o câncer de próstata. Mesmo assim, pode-se dizer que os canabinóides têm se mostrado importantes aliados no tratamento oncológico. 

Vale lembrar que os produtos à base da cannabis não substituem os medicamentos quimioterápicos e protocolos oncológicos.

Agora, você já possui mais informações sobre o câncer de próstata, prevenção, sintomas e seus tipos. E sabe que os homens devem adotar o hábito de ir ao médico, mesmo sem apresentar sinais, pois o diagnóstico precoce garante tratamentos menos agressivos e mais chances de cura.  

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Referências

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