Como funciona o CBD para endometriose? Estudos recentes mostram que o canabidiol, presente na cannabis, tem influência direta e com grande potencial no tratamento dos sintomas da doença. 

A endometriose ganha destaque por atingir cerca de 10% das mulheres em todo mundo e afetar a fertilidade de 30% a 50% destas. No Brasil, a situação é ainda mais preocupante atingindo 15% da população feminina, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Mesmo afetando tantas mulheres, o tratamento da endometriose ainda é desafiador. Nesse cenário, o uso de produtos à base de cannabis ganham ainda mais relevância, devido às suas propriedades antiinflamatórias e analgésicas.  

Uma pesquisa de 2020, realizada na Nova Zelândia com mais de 200 mulheres e publicada na revista científica Women ‘s Health, revelou que o uso da cannabis aliviou a dor, diminuiu náuseas e vômitos, além de melhorar o sono e reduzir o uso de outros medicamentos como antiinflamatórios. 

Neste artigo, você entenderá melhor sobre os benefícios do CBD para endometriose com base em pesquisas médicas. Acompanhe a leitura. 

Como o CBD para Endometriose pode ajudar?

Por ser uma doença crônica, o tratamento atua no alívio dos sintomas. Em comparação aos métodos convencionais de endometriose, o CBD se destaca, principalmente, por seus efeitos colaterais leves ou quase nulos, além de contra indicações reduzidas.

O potencial terapêutico encontrado na Cannabis Sativa vai além do alívio da dor, com propriedades antiinflamatórias, também auxiliando nos sintomas presentes durante algumas fases do ciclo menstrual, períodos de maior exacerbação dos sintomas relacionados à endometriose. 

Nesse sentido, a cannabis medicinal vem se tornando uma grande potencial terapêutica no enfrentamento da doença e na garantia de qualidade de vida da paciente.

Minimiza as dores

Imagem ilustrativa da sensação de cólica na mulher, principal sintoma da endometriose.

A dor intensa é um dos sintomas mais comuns da endometriose. Portanto, o uso de CBD como tratamento pode ser uma opção para a redução das dores, sendo uma opção natural e com poucos ou quase nenhum efeito colateral. 

Estudos também mostram que a cannabis medicinal pode atenuar a sensação de dor causada pela endometriose, por meio da dessensibilização dos receptores responsáveis por essa resposta fisiológica. 

Além disso, graças aos efeitos analgésicos e antiinflamatórios dos canabinóides, lidar com a dor tende a ser mais fácil.   

Impede a proliferação e migração celular

Pesquisas demonstraram que o CBD tem um efeito antiproliferativo nas células endometriais. Uma de suas principais ações está no desenvolvimento da apoptose, um processo de morte celular programada.

Além do efeito anti-migratório celular, funções que também têm atraído o uso dos produtos à base de cannabis em tratamentos contra o câncer. 

Resumidamente, o CBD poderia impedir que as células, que se distribuem fora do útero, se inflamem e facilitem seu desprendimento do tecido endometrial.

A principal razão para isso está no fato do canabidiol impedir que o receptor GPR18, responsável pela migração dessas células danificadas, seja ativado. Essa inibição, por sua vez, contribui para um controle melhor dos processos inflamatórios.

Vale ressaltar que esses achados foram descobertos em pesquisas pré-clínicas, ainda necessitando de acompanhamento clínico e efeitos in vivo.

Reduz a inflamação

A endometriose é uma doença inflamatória crônica, que decorre da presença de um tecido semelhante ao endométrio, que reveste a parte interna da cavidade uterina, mas fora do útero. 

Sendo assim, durante o período menstrual, época de alteração fisiológica feminina, esse tecido extra uterino também sofre as ações hormonais, levando aos sintomas conhecidos da endometriose.

Com menos tecido sendo formado e, consequentemente, menos fibrose e risco de inflamação, as dores intensas tendem a ser gradativamente controladas e a paciente consegue recuperar sua qualidade de vida.

Regula o humor 

A endometriose exerce um grande impacto social e psicológico na vida das mulheres. A dor pode implicar tanto em ansiedade quanto na depressão, principalmente em casos de condição crônica. 

Nesse sentido, o aspecto emocional fica fragilizado e suscetível aos problemas cotidianos e, mais uma vez, o produto de canabidiol sai na frente dos remédios convencionais.

Isso ocorre, pois o CBD também é conhecido com ação nos neurotransmissores responsáveis pela dopamina e serotonina, hormônios que auxiliam na sensação de bem estar e felicidade. 

Essa vantagem só é possível graças a interação do canabidiol com os receptores GABA, que geram um efeito calmante em situações de ansiedade e estresse.  

Descubra os sintomas da Endometriose

A endometriose é uma enfermidade que afeta o sistema reprodutor feminino, de forma que o endométrio, tecido que reveste as paredes internas do útero, está localizado na parte externa do órgão. 

Imagem ilustrativa do sistema reprodutor feminino.
Sistema reprodutor feminino

O endométrio pode estar nos ovários, nas trompas, no septo retovaginal e até mesmo em outros órgãos da região pélvica como a bexiga e o intestino. 

Em quadros mais graves, o tecido endometrial pode se localizar ainda mais distante do sistema reprodutor feminino, podendo afetar pulmões e mais raramente o sistema nervoso central.  

O quadro clínico da paciente com endometriose é bastante variável, podendo tanto ser assintomática, quanto desenvolver sintomas crônicos, sendo a dor o principal deles. 

Essa dor pode ser leve, dificultando o diagnóstico, ou aguda, gerando muito desconforto e impacto na vida da mulher, seja cotidianamente ou circunstancialmente.

O ciclo menstrual é diretamente influenciado, causando alterações no fluxo sanguíneo, que tende a se tornar muito intenso. A frequência das menstruações também é alterada, podendo ser mais constante ou esparsa, a depender do caso. 

Além das fortes cólicas e da menstruação irregular, a doença também pode causar desconforto na hora de urinar, dores nas relações sexuais, influenciar na regulação do intestino e dificultar a gravidez.

A endometriose também é responsável por um impacto psicológico na vida das mulheres. Estudos conduzidos no Brasil demonstraram que a frequência da depressão variou de 86,5% a 92,0% e a ansiedade esteve presente em 87,5% das pacientes avaliadas.  

Vale lembrar que aos primeiros sinais, é necessário procurar um médico ginecologista que faça a investigação para saber se essa paciente tem a doença. Quanto antes ela for descoberta, mais cedo iniciará o tratamento.

Qual o tratamento convencional da endometriose?

A endometriose é diagnosticada por meio de uma consulta detalhada com ginecologista, além do auxílio de exames como o ultrassom endovaginal e/ou uma ressonância magnética, para confirmar e estadiar a doença

Confirmado o diagnóstico, o tratamento é realizado com o uso de anticoncepcionais hormonais ou dispositivo intrauterino (DIU) e terapias de supressão ovariana, para as mulheres que não pretendem engravidar. Para controlar a dor, é comum utilizar analgésicos e antiinflamatórios não-esteróides (AINEs). 

Intervenções cirúrgicas podem ser necessárias para remover lesões endometriais, por meio de laparotomia ou mesmo por procedimentos mais simples, como a cauterização de focos superficiais, a depender da indicação médica. 

Em uma abordagem multidisciplinar, pode-se envolver também, além do ginecologista, outros profissionais da saúde, como o nutricionista e educadores físicos. Isso porque tanto a alimentação adequada quanto os exercícios físicos podem contribuir para a diminuição dos sintomas. 

Há contraindicações

Mesmo com o tratamento hormonal e cirúrgico, é comum que as pacientes tenham resultados temporários e os sintomas da endometriose podem se manter crônicos. 

Além disso, as mulheres podem apresentar contraindicações com a cirurgia, o que leva algumas delas a optar pelo tratamento medicamentoso, exigindo o uso de altas dosagens de analgésicos e AINEs ou a combinação de diferentes medicamentos para controle álgico. 

Contudo, o uso abusivo de antiinflamatórios por exemplo pode trazer efeitos colaterais indesejados como sintomas dispépticos (dores de estômago, azia, úlceras), alterações renais, dentre outros.

Relação do Sistema Endocanabinóide com endometriose

O Sistema Endocanabinóide (SE) é o responsável por manter o organismo em equilíbrio, o que implica em uma série de processos cognitivos e fisiológicos como dor, inflamação, energia, qualidade do sono, resposta ao estresse e humor.

Para isso, nosso corpo produz as substâncias endocanabinoides, semelhantes às encontradas na Cannabis Sativa, para estimular os receptores espalhados pelo corpo e ajudar na homeostase. 

O útero, por sua vez, apresenta esses receptores (CB1), sendo o segundo local com mais receptores endocanabinóides, atrás apenas do cérebro. 

Em pacientes com endometriose, muitas apresentam níveis mais baixos de receptores CB1 no endométrio. Um dos papéis desse receptor está na percepção da dor, sendo um dos motivos deste ser o sintoma mais presente nos casos de endometriose. 

Os receptores CB1 também podem coordenar a resposta neurovascular do endométrio, interferindo na taxa de crescimento anormal do tecido endometrial. Além disso, o Sistema Endocanabinóide é capaz de influenciar a apoptose, quando o organismo identifica células danificadas. 

Durante o ciclo menstrual, isso acontece para que a camada de tecido endometrial formada seja eliminada. Em condições ideais, o SE faz a identificação desses tecidos, evitando a sua proliferação. 

Há ainda um outro mecanismo envolvendo o SE. Receptores canabinóides estão presentes no sistema nervoso central e nervos periféricos, regulando várias vias de sinalização neuronal e exercendo um importante papel na fisiopatologia da dor.  

Mão segurando um tablet que mostra a fórmula química do CBD.
Cada vez mais, as mulheres estão buscando os produtos de cannabis para lidar com a endometriose.

As mulheres estão usando CBD para tratamento de endometriose? 

Em vista dos benefícios do uso do CBD no tratamento para endometriose, cada vez mais mulheres têm recorrido a esta alternativa terapêutica.

Uma pesquisa publicada no Journal of Obstetrics and Gynacology Canada foi realizada em 2017 na Austrália com mulheres de 18 a 45 anos de idade com diagnóstico de endometriose confirmado cirurgicamente.

Mais de 75% das participantes revelaram que já faziam uso do canabidiol e 56% destas reduziram pela metade o consumo de outros medicamentos para lidar com a endometriose.

As pacientes relataram boa eficácia da cannabis medicinal, reduzindo, de forma significativa, as dores, os sintomas de náusea e vômito, problemas gastrointestinais, além de melhorar a qualidade do sono e reduzir os sintomas de depressão e ansiedade. 

Por sua vez, os efeitos colaterais mencionados foram leves e relativamente raros.

No Brasil, já é possível fazer a terapia alternativa com a cannabis medicinal. Caso você se interesse em adquirir o produto para seu tratamento, consulte e converse com seu médico para encontrar a sua dose ideal.

Se gostou do nosso conteúdo sobre os benefícios do CBD para endometriose, continue acompanhando nosso blog e redes sociais.

Referências:

  • Di Blasio, A., Vignali, M. and Gentilini, D. (2012). The endocannabinoid pathway and the female reproductive organs. Journal of Molecular Endocrinology, 50(1), pp.R1-R9
  • Elmore, S. (2007). Apoptosis: A Review of Programmed Cell Death. Toxicologic Pathology, 35(4), pp.495-516. 
  • Guzmán, M., Sánchez, C. and Galve-Roperh, I. (2002). Cannabinoids and cell fate. Pharmacology & Therapeutics, 95(2), pp.175-184. 
  • Lynch, M. and Campbell, F. (2011). Cannabinoids for treatment of chronic non-cancer pain; a systematic review of randomized trials. British Journal of Clinical Pharmacology, 72(5), pp.735-744.
  • Nagarkatti, P., Pandey, R., Rieder, S., Hegde, V. and Nagarkatti, M. (2009). Cannabinoids as novel anti-inflammatory drugs. Future Medicinal Chemistry, 1(7), pp.1333-1349
  • Zondervan KT, Becker CM, Koga K, Missmer SA, Taylor RN, Viganò P. Endometriosis. Medical Radiology. 2019; 4: 9. doi: 10.1038 / s41572-018-0008-5
  • CARRUBBA, Aakriti R. et al. Use of Cannabis for Self-Management of Chronic Pelvic Pain. Journal of Women’s Health, 2020.
  • Fine, P. G., & Rosenfeld, M. J. (2013). The endocannabinoid system, cannabinoids, and pain. Rambam Maimonides medical journal, 4(4), e0022. https://doi.org/10.5041/RMMJ.10129 
  • Chéreau, Jean Guibourdenche, Bernard Weill, Charles Chapron, Bertrand Dousset, Frédéric Batteux (2010). Antiproliferative Effects of Cannabinoid Agonists on Deep Infiltrating Endometriosis,. The American Journal of Pathology <https://doi.org/10.2353/ajpath.2010.100375
  • Cannabis Use, a Self-Management Strategy Among Australian Women With Endometriosis: Results From a National Online Survey (2019). <https://doi.org/10.1016/j.jogc.2019.08.033>