A epilepsia é um transtorno neurológico que afeta mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo. Por isso, o dia 26 de março é tido como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, também conhecido como Purple Day, para informar as pessoas sobre a doença e desmistificar o preconceito. É possível levar uma vida normal mesmo tendo o transtorno e um dos tratamentos que pode ajudar é o uso da cannabis medicinal, que tem se difundido cada vez mais no Brasil. 

A terapia utilizando canabinóides tem sido eficaz no combate aos sintomas gerados pela epilepsia e é uma opção para aqueles pacientes que cujo organismo apresenta resistência aos anticonvulsivantes convencionais.  Estudos que comprovam a ação dos canabinóides já são realizados no país desde 1980, e atualmente, a epilepsia é um dos campos com mais pesquisas. 

Para entender como a cannabis medicinal impacta o tratamento de epilepsia, primeiro é preciso compreender como a doença afeta o organismo. 

O que é epilepsia? 

A epilepsia é um transtorno neurológico, geralmente ligado à outras doenças, causada por fatores genéticos, enfermidades cerebrais como a meningite, falta de oxigenação durante o parto e traumatismo craniano. Esses fatores geram uma anormalidade na atividade elétrica cerebral. 

O grau da epilepsia é relacionado às áreas do cérebro afetadas, podendo gerar as crises epilépticas totais (as mais características da síndrome) quando a desorganização dos sinais elétricos acontece nos dois hemisférios do cérebro, e as crises epilépticas parciais em que a desorganização é em apenas um dos hemisférios cerebrais. 

Em nosso cérebro, possuímos dois tipos de neurônios: os excitadores e os inibitórios, que funcionam de modo a proporcionar uma harmonia dos impulsos elétricos e, consequentemente, da atividade cerebral. Os excitadores estimulam as atividades, tendo um mecanismo regulador próprio, e os inibitórios que servem para manter o controle quando os excitadores incitam atividades em excesso. 

Nos pacientes que possuem epilepsia esses neurônios não funcionam devidamente, seja pela falta de controle dos excitadores, por uma ação insuficiente dos inibidores, ou até mesmo pelos dois fatores em conjunto. Isso gera atividade cerebral e impulsos elétricos em excesso, causando uma pane no cérebro, que geram as crises epilépticas. 

Como são as crises epilépticas

As crises epilépticas podem se caracterizar por convulsões, fazendo com que a pessoa caia, todos os músculos do corpo se contraem, ela pode salivar muito e espumar pela boca, além de respirar de forma ofegante. Esse tipo de crise acontece quando a pane afeta os dois hemisférios do cérebro. 

Por mais que as crises convulsivas possam parecer desesperadoras, é importante auxiliar a pessoa naquele momento. O indicado é deitar a pessoa de lado, para que a saliva não vá ao pulmão, e evitar que ela bata a cabeça devido aos movimentos corporais involuntários. 

Também podem ocorrer crises focais, quando apenas uma área específica do cérebro tem atividades excessivas. Dessa forma, os sintomas vão depender de qual área entrou em curto, se for relacionada ao olfato, a pessoa pode sentir cheiros desagradáveis; se for relacionada à visão, ela pode ver pontos escuros ou flashes coloridos, por exemplo. 

As crises epilépticas duram cerca de um a cinco minutos, e o paciente pode consegue ter qualidade de vida ao controlar as crises em si e seus gatilhos. Alguns comportamentos podem desencadeá-las como o consumo de bebidas alcoólicas, jejum prolongado, privação de sono, ansiedade e depressão. 

Diagnóstico e tratamento 

O diagnóstico de epilepsia é realizado caso o paciente tenha crises espontâneas e frequentes, com um período de no mínimo 24 horas entre uma e outra. O histórico de saúde é fundamental para investigar a possível origem das crises, além de exames complementares como a ressonância magnética e o eletroencefalograma. 

O tratamento convencional da epilepsia é realizado com uso de medicamentos anticonvulsivantes. Alguns pacientes têm que utilizar mais de um medicamento para obter resultados. Cerca de 70% dos pacientes conseguem controlar e até eliminar as crises epilépticas com tratamento medicamentoso. 

Um terço das pessoas diagnosticadas com epilepsia não obtém resultados com uso de anticonvulsivantes, mesmo no uso combinado de mais de um medicamento. Esse quadro é chamado de epilepsia refratária e os pacientes costumam recorrer a outros tipos de tratamento para conter as crises. Esses pacientes são os que buscam terapias alternativas para lidar com os sintomas e encontram na cannabis medicinal a possibilidade de um tratamento efetivo. 

CBD no tratamento de epilepsia 

A ação da cannabis medicinal acontece por meio do sistema endocanabinóide, que exerce funções reguladoras importantes no sistema nervoso central. 

Os canabinóides, em geral, possuem uma ação anti-inflamatória, podendo diminuir as neuro inflamações causadas pelas crises epilépticas, e também possuem amplos efeitos neuroprotetores. O CBD, um dos canabinóides presentes na cannabis medicinal, é capaz de auxiliar no tratamento da epilepsia atuando nos receptores CB1, reprimindo as neurotransmissões causando uma redução geral da atividade dos neurônios excitadores. Em cérebros saudáveis, o endocanabinóide anandamida faz essa ação. O canabidiol age impedindo a metabolização da anandamida para que ela permaneça ativa por mais tempo, antes de perder seu efeito. 

O CBD também estimula os neurônios inibitórios, mais uma forma de reequilibrar a atividade neural. Outra atuação do canabidiol, é a sua interação com os receptores GABA, que são responsáveis por reduzir a atividade cerebral em momentos de estresse, gerando um efeito calmante. Além disso, o CBD é capaz de controlar os receptores vanilóides TRPV1 no cérebro, que quando são super ativados geram crises epilépticas; o canabidiol regula esse receptor, diminuindo as crises. 

Menos crises, mais qualidade de vida 

Em geral, a epilepsia não afeta a rotina, quando as crises são controladas com medicamentos. No entanto, para as pessoas que têm resistência aos anticonvulsivantes e crises frequentes, a qualidade de vida é comprometida. Quando as crises epilépticas são constantes durante a infância e adolescência, o desenvolvimento do sistema nervoso é comprometido. Por isso, é de extrema importância encontrar o tratamento mais adequado para conter as crises. 

Uma pesquisa online realizada com pais de crianças que possuem epilepsia, publicado no Epilepsy and Behavior, revela que o uso de cannabis medicinal com alto teor de CBD resultou na redução da frequência das crises epilépticas em 85% das crianças e 14% delas pararam de ter crises. Outro estudo publicado em 2018, no Cureus, avaliou seis pesquisas sobre o uso da cannabis medicinal como tratamento para epilepsia e concluiu que os estudos recentes realizados com mais de 100 participantes foram capazes de comprovar a eficácia do CBD em reduzir a regularidade das crises epilépticas. 

Para ter os melhores resultados, é melhor fazer uso de extratos de CBD de espectro completo (full spectrum), pois a variedade de outros canabinóides proporciona mais benefícios e causa menos efeitos colaterais do que extratos isolados. 

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Referências:

  • https://periodicos.furg.br/vittalle/article/view/6292/4740
  • http://www.epilepsybehavior.com/article/S1525-5050(15)00157-2/fulltext
  • Epilepsy and Cannabis: A Literature Review Sidra Zaheer, Deepak Kumar, Muhammad T Khan, Pirthvi Raj Giyanwani, FNU Kiran Cureus. 2018 Sep; 10(9): e3278. Published online 2018 Sep 10. doi: 10.7759/cureus.3278
  • Wallace, M.J., Martin, B.R., and DeLorenzo, R.J. (2002). Evidence for a physiological role of endocannabinoids in the modulation of seizure threshold and severity. European Journal of Pharmacology, 452(3), 295-301. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0014299902023312.