O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio de desenvolvimento e que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), afeta 70 milhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente não existe um tratamento específico para o TEA, apenas para ajudar os pacientes a lidar com os sintomas, como por exemplo irritabilidade e transtornos do sono. 

No entanto, muitas pessoas no espectro autista não conseguem controlar os sintomas e viver com qualidade, além de terem que conviver com efeitos colaterais desagradáveis. Por isso, muitos pais têm visto o CBD como uma alternativa para seus filhos com TEA em busca de algo que traga uma melhora efetiva no quadro. 

Para saber como o canabidiol atua no transtorno do espectro autista, primeiro vamos explicar um pouco mais sobre essa condição. 

O que é o Transtorno do Espectro Autista? 

O TEA engloba um grupo de transtornos neurológicos de desenvolvimento, leves e severos, como por exemplo asperger, síndrome de angelman e a  síndrome de savant, entre outros. Todas as formas do espectro afetam algum grau de déficit cognitivo comprometendo, geralmente, a comunicação e as interações sociais. Além disso, outros sintomas característicos em todas as formas do TEA são padrões repetitivos e restritivos de comportamento, interesses fixos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais.

Os primeiros sinais podem ser notados a partir de 12 a 18 meses de idade e a incidência é maior no sexo masculino: para cada uma menina com TEA, quatro meninos fazem parte do espectro. O atraso na fala nos primeiros anos de vida, assim como a preferência por interagir com objetos do que com pessoas, podem ser grandes sinais de que a criança faz parte do espectro autista.

O comportamento mais característico de um paciente com TEA é evitar o contato visual, além de ter dificuldade em interpretar expressões faciais e outros sinais de linguagem de fácil compreensão para pessoas neurotípicas (que não fazem parte do espectro). Por conta disso, muitas pessoas no espectro acabam se tornando solitárias e isoladas, sentindo dificuldade em se comunicar e continuar uma conversa, ou se comportando de forma inadequada de acordo com a situação, por exemplo. 

Outros comportamentos que podem ser desenvolvidos por aqueles que fazem parte do espectro autista é o gosto por uma rotina rígida, que quando não é seguida por conta de algum imprevisto, pode gerar irritabilidade. A imprevisibilidade de hábitos e de comportamentos dos outros pode desencadear as chamadas estereotipias: movimentos que os pacientes reproduzem como uma forma de se reconfortar.

A maior parte dos pacientes têm mais de uma enfermidade concomitante, como a epilepsia e/ou o TDAH , e podem desenvolver ansiedade ou depressão por conta da dificuldade de interação social. Mesmo que o diagnóstico, geralmente, aconteça na infância, o TEA não tem cura e o paciente tem que lidar com os sintomas por toda a vida.

Tratando o TEA e os efeitos colaterais 

Como já mencionamos, não existe um tratamento específico para o transtorno de espectro autista, mas sim para controlar os sintomas. 

Para controlar as crises de ansiedade e a irritabilidade devido à imprevisibilidade, são utilizados ansiolíticos e antidepressivos. Para lidar com as estereotipias e a concentração, medicações de TDAH. No caso dos pacientes que têm convulsões, também é feito o uso de anticonvulsivantes.

O principal medicamento utilizado no tratamento do espectro autista faz parte da categoria dos antipsicóticos atípicos e foi criado originalmente para tratar a esquizofrenia. O uso desse medicamento é feito nos casos em que o paciente apresenta agressividade e automutilação, impedindo seu convívio social, como ir à escola por exemplo. 

A ação desse antipsicótico se dá por meio dos neurotransmissores da dopamina e da serotonina, envolvidos na regulação do humor e do comportamento. Ele bloqueia os receptores em que a dopamina atua, evitando sua ação excessiva, que causaria os ataques de agressividade e irritabilidade. Esse antipsicótico atípico também age aliviando a depressão e ansiedade, além do sentimento de culpa após as crises. 

Entretanto, os efeitos colaterais são diversos e impactam a vida do paciente de forma significativa. Um dos efeitos principais é o ganho de peso significativo, muitas vezes por levar o paciente a desenvolver compulsão alimentar. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association em 2009 mostrou que crianças e adolescentes, de 4 a 19 anos, que fizeram uso antipsicótico utilizado no tratamento do TEA durante doze semanas, engordaram 5,3 kg, em média. 

O mesmo estudo também comprovou outro efeito colateral preocupante, o aumento do nível de triglicérides. Isso pode aumentar, significativamente, o risco de doenças cardíacas na vida adulta. O nível de açúcar no sangue também se eleva, trazendo o risco de mais uma doença no futuro, a diabetes. 

Além dessas alterações metabólicas, o antipsicótico atípico ainda pode causar mudanças no hormônio prolactina, gerando a hiperprolactinemia, que nas meninas pode levar ao aumento dos seios, produção de leite materno e perda óssea, e nos meninos pode interferir na produção de espermatozóides e causar a ginecomastia (aumento das mamas masculinas). 

O uso de antipsicótico atípico pode inclusive agravar alguns sintomas do espectro autista como insônia, ansiedade, agitação e convulsões. 

Abordagem multidisciplinar 

Como os transtornos do espectro autista afetam o desenvolvimento da criança, uma abordagem de tratamento multidisciplinar é a mais ideal para bem amparar os pacientes que possuem TEA. 

É de extrema importância que os pais da criança saibam lidar com as crises da forma mais adequada. A comunicação entre familiares e os terapeutas do paciente é essencial  para estabelecer o melhor tratamento, além de ajudar na busca de especialistas no espectro. Observar como a criança se comporta nas sessões e reage aos exercícios, assim como questionar formas de explorá-los em casa, é primordial para acompanhar de perto o quadro da criança e auxiliar em sua evolução. 

As terapias que integram a abordagem multidisciplinar são aquelas que incentivam a criatividade e comunicação. A fonoaudiologia pode ser uma opção para as crianças que têm problema em desenvolver a fala, por exemplo. O uso de imagens também é algo que pode auxiliar a desenvolver o discurso. A pintura terapêutica é uma boa alternativa para despertar a imaginação e ajudar os pacientes a se expressarem de forma livre. 

Ação do CBD no Espectro Autista 

O uso do canabidiol deve fazer da abordagem multidisciplinar e sua atuação no tratamento do espectro autista se dá por meio do sistema endocanabinóide. 

Um estudo publicado no Molecular Autism em 2018, concluiu que crianças com TEA têm uma concentração menor do principal endocanabinóide, a anandamida, do que crianças neurotípicas. Isso indica que um desbalanço no sistema endocanabinóide estaria relacionado com os sintomas do espectro autista. O CBD irá agir impedindo a metabolização da anandamida, para que ela permaneça ativa por mais tempo. 

A anandamida se relaciona com as convulsões na medida em que regula o funcionamento dos neurônios excitadores e inibitórios, evitando o excesso de atividade cerebral e impulsos elétricos entre os neurônios. Além disso, é possível reduzir os comportamentos sociais inadequados com o aumento na taxa de anandamida.

O canabidiol também atua como um regulador de humor, auxiliando com a depressão, ansiedade e outros transtornos afetivos comuns do espectro autista. Isso acontece à medida que o CBD adequa os níveis de serotonina no cérebro. Outra ação do CBD é equilibrar a dopamina, atuando diretamente no controle da agressividade e da irritabilidade. Isso também é possível por meio da interação com os receptores GABA, responsáveis por diminuir a atividade cerebral em momentos de estresse, gerando um efeito calmante. 

Enquanto o antipsicótico atípico gera compulsão alimentar, o canabidiol funciona como um regulador do apetite ao melhorar a sensibilidade do hipotálamo. Essa região é responsável por grande parte da homeostasis, como o apetite. 

Para ter os melhores resultados, é melhor fazer uso de extratos de CBD de espectro completo (full spectrum), pois a variedade de outros canabinóides proporciona mais benefícios e causa menos efeitos colaterais do que extratos isolados. 

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Referências

  • Karhson, D.S., Krasinska, K.M., Dallaire, J.A. et al. Plasma anandamide concentrations are lower in children with autism spectrum disorder. Molecular Autism 9, 18 (2018). https://doi.org/10.1186/s13229-018-0203-y