A fibromialgia (FM) é uma doença crônica e muitas vezes incapacitante, que causa dores por todo o corpo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), ela afeta aproximadamente 3% da população brasileira, quase sete milhões de pessoas. 

Para os pacientes, é uma patologia que “dói até o fio de cabelo”. Apesar disso, o desafio para realizar o diagnóstico é grande, já que não existem exames para detectar a FM. 

Então, como reconhecer a doença? No artigo a seguir, você entendera melhor a definição da doença, os principais pontos dolorosos e como identificá-la. Acompanhe a leitura. 

O que é fibromialgia?

A fibromialgia é uma uma síndrome reumatológica que afeta toda a musculatura do corpo, provocando dor intensa e constante, principalmente nos músculos e tendões. No entanto, não apresenta evidências de inflamação nos locais de dor. 

Está diretamente relacionada ao Sistema Nervoso Central e aos mecanismos biológicos de supressão da dor.

Isto é, a FM é considerada uma disfunção no cérebro, que aumenta a sensação de dor, mesmo sem motivos aparentes. Desta maneira, nervos, medula e cérebro, fazem que qualquer estímulo doloroso seja mais intenso.

Quem sofre com esta patologia, possui grande sensibilidade ao toque e sente dores por longos períodos. 

Além disso, pessoas com fibromialgia têm a qualidade de vida afetada, uma vez que as dores somadas aos demais sintomas podem ser incapacitantes, desenvolvendo distúrbios do sono, dores de cabeça e até mesmo ansiedade e depressão. 

Fibromialgia não tem cura, mas tem tratamento

Ainda não existe cura para fibromialgia, mas sabe-se que ela não é progressiva e nem fatal. A boa notícia é que quando devidamente tratada, os sintomas são minimizados e podem até desaparecer. 

Por isso, todos os tratamentos para fibromialgia têm como objetivo aliviar os sintomas e promover mais qualidade de vida às pessoas acometidas. 

Nesse sentido, o mais eficaz é apostar em uma abordagem conjunta com cuidados medicamentosos e terapêuticos, de forma que colabore para a melhora na saúde de modo geral. 

Tratamento farmacológico

No geral, são prescritos relaxantes musculares e analgésicos para amenizar as dores de quem sofre com a doença. 

É fundamental que todo o processo de tratamento para fibromialgia seja acompanhado por profissionais especializados e multidisciplinares, incluindo psicólogos e psiquiatras para apoiar a saúde mental do paciente. 

São esses profissionais que poderão receitar medicamentos para ansiedade, insônia, antidepressivos e outros, de acordo com as necessidades de cada um.

Possibilidades terapêuticas

Para ajudar no tratamento da fibromialgia, sessões de fisioterapia também são indicadas para proporcionar alívio dos sintomas, possibilitando mais flexibilidade às articulações, relaxamento muscular e redução das dores. 

O apoio da psicoterapia e terapia cognitivo comportamental é outro ponto essencial para orientar e facilitar o paciente a conviver com a doença. 

Além disso, é primordial incluir técnicas de bem-estar e manter uma rotina mais saudável. Práticas de relaxamento, meditação, massagem, acupuntura e exercícios físicos, são algumas das opções terapêuticas, assim como reduzir o estresse diário e prezar por uma boa noite de sono. 

Casal sorrindo e se alongando ao ar livre antes da prática de exercícios. Imagem ilustrativa texto fibromialgia
Manter uma rotina saudável com a prática de exercícios pode ajudar tanto no tratamento quanto na prevenção da fibromialgia.

Cannabis medicinal como alternativa

Estudos apontam que o uso da Cannabis medicinal também pode ser eficaz no tratamento para a fibromialgia, assim como em outras patologias que geram dor crônica

Devido ao alto potencial analgésico e anti-inflamatório, os canabinoides têm ação direta no mecanismo central da dor e ajudam na redução das dores. Além de contribuir para o bem-estar, melhorando o humor e o sono. 

Quais os sintomas da fibromialgia para ficar atento?

A dor generalizada e crônica, que dura por mais de três meses, é o principal sintoma da fibromialgia. Geralmente, é relatada como uma fraqueza muscular, sensação de queimação ou fisgadas. 

Mas além dos estímulos dolorosos, outras manifestações podem ocorrer no corpo, tais como sensações de tristeza e impotência decorrentes das dores. Confira alguns pontos de alerta sobre a doença: 

  • Sensibilidade ao toque;
  • fadiga;
  • sono não reparador e insônia;
  • dificuldades cognitivas (falta de memória e concentração);
  • depressão e ansiedade;
  • sensação de formigamento (principalmente nos pés e nas mãos);
  • pernas inquietas (ao dormir);
  • dores de cabeça e enxaquecas;
  • tontura; e 
  • alterações intestinais.

As complicações da fibromialgia, no geral, estão mais relacionadas à qualidade de vida do paciente. Por isso, vale destacar que os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, tanto em aparecimento quanto em intensidade. 

Principais pontos dolorosos

Existem regiões específicas de maior sensibilidade à dor que são conhecidas como os “pontos de dor da fibromialgia”. São conhecidos cerca de 18 pontos de dor da fibromialgia distribuídos pelo corpo, sendo eles: 

  • Parte da frente do pescoço: 2 pontos;
  • Parte de trás do pescoço: 2 pontos;
  • Parte superior do peito: 2 pontos;
  • Parte superior das costas: 4 pontos; 
  • Dobra dos braços: 2 pontos;
  • Região lombar: 2 pontos;
  • Abaixo das nádegas: 2 pontos;
  • Nos joelhos: 2 pontos.

A imagem a seguir mostra a localização dos pontos de dor da fibromialgia:

Infográfico com pontos vermelhos em destaque nos principais pontos de dores da fibromialgia, como pescoço, peito, costas, braços, lombar, nádegas e joelhos. Imagem ilustrativa texto fibromialgia
Principais pontos dolorosos da fibromialgia.

É importante destacar que, embora sejam os mais frequentes entre os pacientes, os pontos dolorosos não são os únicos locais de manifestação da doença. 

Causas mais comuns da fibromialgia?

Esse é um dos grandes mistérios da medicina até hoje. Afinal, ainda não há uma definição exata do que causa a fibromialgia. Isso ocorre, pois os desconfortos podem surgir sem motivo evidente, ou serem uma reação do corpo diante algum gatilho. 

Diante disso, podemos destacar fatores que podem desencadear ou agravar esta síndrome. São eles:

  • Genética: a fibromialgia costuma ser mais comum entre familiares que possuem histórico e predisposição genética à doença;
  • traumas físicos ou psicológicos; 
  • infecções por vírus e doenças autoimunes;
  • menor densidade nas fibras nervosas; e
  • distúrbios do sono, ansiedade e depressão — que podem ser a causa e/ou consequência da doença. 

Como é feito o diagnóstico

Como mencionamos, o diagnóstico da fibromialgia é um dos maiores desafios para quem sofre com a doença.

As causas e manifestações inexatas da síndrome fazem com que ela não possa ser detectada por nenhum tipo de exame.

Por isso, é preciso uma investigação clínica e eliminatória durante a consulta médica, diante da avaliação do histórico de saúde individual e familiar e dos sintomas apresentados. 

O primeiro passo será descartar a possibilidade de outras doenças, antes de confirmar ou descartar a FM. No caso, o profissional de saúde precisa certificar-se de que as causas das dores não estejam associadas a outras patologias.

Além disso, o médico especialista deve levar em conta:

  1. dor difusa e crônica no corpo (mais de três meses);
  2. presença de pontos dolorosos na musculatura; 
  3. associação com outros sintomas como: fadiga, ansiedade, problemas de sono, dentre outros.

Após o diagnóstico, o paciente deverá ser orientado sobre sua condição e como proceder com o tratamento para as dores, de acordo com suas necessidades e individualidades. 

Fatores de riscos que podem influenciar o seu diagnóstico

Qualquer pessoa pode vim a desenvolver a fibromialgia, sendo as mulheres o maior grupo de risco. De acordo com a Sociedade Mineira de Reumatologia, cerca de 90% dos casos ocorrem entre elas.

Mas vale destacar que isso não significa que a doença também não possa acometer homens, idosos, adolescentes e crianças. 

Além disso, outros fatores de risco facilitam o surgimento de fibromialgia, como a incidência de problemas de saúde (lúpus ou artrite reumatoide), histórico familiar e ter acima de 45 anos.

Quando procurar o médico para o diagnóstico?

Se você estiver sentindo dores fortes no corpo, de forma crônica e nada parece trazer alívio, não hesite e procure ajuda médica o quanto antes.

Para isso, o clínico geral e o reumatologista são os especialistas mais indicados para diagnosticar a fibromialgia. 

Vale ressaltar que não há formas de prevenção para a doença. Contudo, o tratamento adequado e precoce pode reduzir os danos e melhorar os sintomas. 

Ao longo deste artigo, você entendeu melhor sobre o que é fibromialgia, quais são os principais sintomas da fibromialgia, assim como os tratamentos mais indicados. Continue acompanhando o nosso blog e redes sociais, e mantenha-se informado. 

Referência

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